
Como surgiu e se desenvolveu, em Lages, o Banco da Família?
Isabel - Foram vários fatores, locais e mundiais, que se acumularam, a partir dos anos 1996/ 1997. Nossa re-gião serrana sofria com baixo crescimento econômico e social, conforme diagnosticou, na época, estudo da FIESC (Federação das Industrias do Estado de Santa Catarina) / IEL (Instituto Euvaldo Lodi). Havia problemas de gestão, qualificação técnica e comercial das pequenas e médias empresas, para as quais o crédito era inacessível. Essa pesquisa levou a uma parceria entre SEBRAE, Prefeitura Municipal, Acil - que eu presidia na época, num esforço coordenado para apoiar as micro e pequenas empresas, através do projeto Bairros que Trabalham (BQT).
Eu e demais integrantes da Câmara da Mulher participávamos de seminário, representando a Câmara da Mulher Empresária da Acil, quando conhecemos integrantes do Banco da Mulher do Uruguai, filiado à rede mundial do Women's World Banking (WWB), que nos indicaram conta-tos com o Banco da Mulher do Rio de Janeiro. Ao fundarmos o Banco da Mulher, hoje Banco da Família, esta convivência com a experiência já acumulada pela rede internacional foi fundamental para nossa atuação com o microcrédito. Esta aliança se estende até os dias de hoje, e a consideramos fundamental para o nosso êxito. Temos orgulho de sermos a única instituição do Brasil a fazer parte da rede WWB que congrega instituições exitosas de todos os continentes.
Como foram levantados os recursos necessários para iniciar as atividades?
Isabel - Ficamos encantados, na época, com a idéia do microcrédito e fomos à luta. Mas foi difícil, muito difícil. Contatamos o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que nos fez pro-posta alentadora: garantiria R$ 5,00 para cada R$ 1,00 que conseguís-semos captar localmente. Mas não foi fácil. A duras penas, depois de um ano e meio batendo de porta em porta, enfrentando muita des-crença e ouvindo muitos nãos, conseguimos apoio de empresas, insti-tuições e pessoas. Graças a este apoio, hoje o Banco da Família é uma realidade e somos uma referência em microcrédito, segundo especia-listas nacionais e internacionais.
Quem ajudou com recursos financeiros? Em que escalas?
Isabel - Foram várias instituições, privadas e públicas, que nos apoiaram. Lembro-me de algumas que contribuíram com valores significativos: Lactoplasa, Transul, Fecomércio, BESC, Fiesc, Sebrae - que nos deu condições de manter estrutura inicial -, ACIL (Associação Comercial e Industrial de Lages), que abrigou nossa sede, no início, e parti-cipou com sua diretoria nas visitas às empresas para captar recursos. Conseguimos R$ 120 mil, a Prefeitura de Lages nos ajudou com mais R$ 80 mil, completando um total de R$ 200 mil arrecadados, inicialmente. Em seguida, o BNDES aportou R$ 500 mil e o Badesc mais R$ 500 mil, ambos como empréstimos, quando totalizamos R$ 1,2 milhão, para início das operações.
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