É no modo de atender o cliente que está a grande diferença de um estabelecimento de microcrédito, como o Banco da Família, em relação aos bancos comerciais. Em vez de esperar o cliente, é o micro-crédito que vai às comunidades conhecer suas carências, possibilidades, para propor as soluções.

Essa prática é viabilizada por um tipo de funcionário que também não existe no banco convencional: o agente de crédito, que estabelece nas comunidades a rede de contatos, uma base de apoio constituída pelas pessoas conhecidas, pres-tigiadas e influentes naquele bairro.

ras entidades e pessoas influentes na região onde atua. Promove atividades, palestras e reuniões quando introduz conceitos elementares de economia, co-mo o da Caderneta, na qual as pessoas educam-se a anotar gastos e renda fa-miliar. Obtêm, assim, consciência de sua condição econômica, disciplinando gastos e buscando possibilidades de investir. Também debatem temas como a poluição ambiental e a reciclagem que melhora o meio ambiente, gerando renda.

O Banco da Família de Lages tem, hoje, 14 agentes de crédito, entre os quais se destaca Karina Matos Freitas. Economista, com pós-graduação em Gestão Es-tratégica de Investimentos. Casada, mãe de um filho, Karina começou a traba-lhar no Banco da Família há 7 anos, com carteira de crédito de R$ 250 mil e cerca de 200 clientes. E tornou-se uma campeã na concessão de microcrédito do banco.

Apenas três anos depois de ter ingressado no banco, o valor da sua carteira subiu para R$ 1 milhão, com 680 clientes. Como Karina ficou com muitos clientes para atender sozinha, sua carteira foi dividida: “Em sete anos de trabalho nos bairros populares - observa Karina - a gente vê bastante carência, mas vê também muita vontade de melhorar. É isso que as pessoas vêem no banco e isso é o que me estimula, dá prazer em trabalhar, ao ver as pessoas construindo projetos, querendo melhorar”.

Karina gosta de citar dois casos em que atuou e são inesquecíveis para ela. O de uma mulher que saiu de situação pessoal de extrema precariedade para posição mais confortável, outro da mulher que se tornou empresária as-cendente e hoje gera empregos.

A primeira, Nilce de Fátima, sozinha, com 3 crianças para criar, procurou o banco para fi-nanciar carroça e um cavalo, para coletar mate-rial reciclável. Hoje, com o apoio do banco, ela já mudou de atividade, produz e vende cocadas, melhorou sua casa e sustenta sozinha 3 filhos. A outra é Simone Abreu, que de costureira passou a empresária e, hoje, gera 7 empregos.

 

 

 

 

 

 


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